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13.Fev - Cardeal Hummes: questão da ordenação de homens casados será retomada no Vaticano

As declarações do purpurado, que também é presidente da REPAM (Rede Eclesial Panamazônica), responsável pela  sondagem que deu origem ao Instrumentum Laboris do Sínodo, documento em que já se vislumbrava o pedido de admissão de homens casados ao sacerdócio, tiveram lugar na apresentação da Exortação Querida Amazônia na sede da CNBB em Brasília, na manhã dessa última quarta-feira, 12, e vão na contramão do que pediu o Papa Francisco no recém lançado documento.


 


Nos números 89 e 90 do texto que foi apenas divulgado, o Santo Padre não contempla a possibilidade de que homens casados sejam ordenados sacerdotes, antes, pede que os bispos promovam vocações missionárias e enviem sacerdotes para a região panamazônica.


 


Dom Claudio ofereceu estas declarações no contexto de uma pergunta sobre este pedido do Sínodo que não foi mencionado na Exortação. O Prefeito Emérito do Clero explicou primeiramente que “a questão da eventual ordenação de homens casados, não significa que o clero vai casar, mas, que homens casados em certas circunstâncias, possam ser ordenados padres continuando a viver como casados”.


 


“Esta questão como todas as outras [do documento final], deverão ser trabalhadas agora junto ao Santo Padre e as instâncias da Santa Sé que tratam desses assuntos”, afirmou Dom Hummes, asseverando que o tema será retomado no Vaticano e que este pedido do Sínodo, contido no numeral 111 do Documento Final, deverá “ser elaborado e eventualmente, com um processo, ir sendo cumprido”.


 


Neste sentido, disse o Cardeal brasileiro afirmou que será muito importante a atuação de um organismo eclesial a ser criado para a região amazônica. “Assim como existem as conferências (episcopais) nos países, exista lá também, dado que é uma região que inclui vários países, um tipo de organismo que ainda tem, de certa forma, que se formular, ver quais serão as suas competências”, disse.


 


“Este organismo terá uma função muito importante junto com as instâncias do Papa no Vaticano, para irmos discutindo, e em que caso se poderia, de fato, realizar este pedido do Sínodo. (...) Certamente é este organismo que iria assumir a coordenação e a animação de todo este processo de aplicação do Sínodo”, ressaltou.


 


Vale recordar que os bispos presentes na assembleia sinodal em Roma, votaram o pedido da criação de um organismo eclesial para a região e que o mesmo não seria uma Conferência Episcopal.


 


Em outubro de 2019, ainda durante o Sínodo, Dom Walmor Oliveira, atual presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e Arcebispo de Belo Horizonte (MG), disse:




"Não estamos falando de conferência específica para a Amazônia”, ressaltou na ocasião, explicando que “estamos falando do fortalecimento de instâncias e do comprometimento de instâncias, inclusive novas, para que nós possamos fortalecer nosso caminho e nosso trabalho missionário na Amazônia”.



 


Dom Cláudio durante a Conferência de imprensa também falou que o Documento Final do Sínodo, não deve “ir para a estante” e que o fato de não ser citado na Exortação não implica que o mesmo deverá ser rechaçado.


 


“O Papa não cita nenhum para não dizer que este é mais importante ou este deve ser rejeitado”, disse o Cardeal, que foi o Relator Geral do Sínodo Amazônico.


 


“Ele [o Papa] não fala de nenhum [ponto do documento final] e isso mostra que ele aprecia todos. E, por que ele aprecia? Porque são frutos do sínodo, não são frutos de um pequeno grupo de teólogos, mas é um sínodo que a Igreja ouviu. Tudo aquilo que o Sínodo decidiu ali e aprovou tem igual importância”, completou, sublinhando que “isso será trabalhado, certamente, para que possa atender na medida do necessário esse pedido”, afirma.


 


Segundo Dom Hummes, a necessidade de insistir sobre o tema da ordenação de homens casados é a preocupação pela celebração da Eucaristia nas comunidades mais remotas da Amazônia.


 


“A Eucaristia é “o que de fato nos preocupa, em Aparecida em 2007 já se falou disso e cada vez mais se falou dessa questão, depois que o Papa João Paulo II havia dito que a Eucaristia edifica a Igreja, que não pode haver uma Igreja sem Eucaristia. Então, se perguntava: é possível continuar como estamos continuando? É possível continuar assim? Temos o direito de continuar assim, sem tomar nenhuma nova prática ou nova forma de viver o ministério para que também essas comunidades tenham normalmente a Eucaristia e outros sacramentos necessários na vida cotidiana?”.


 


Nesse sentido, reforçou que “devemos continuar trabalhando com as populações e vendo como é possível construir essa questão para ver como é possível que tenham a Eucaristia e outros sacramentos e trabalhar junto com o Vaticano, com os organismos que tratam desse assunto e, sobretudo, o próprio Papa. É preciso que nós cheguemos juntos a conclusões”.


 


“Portanto, esse processo vai continuar, certamente, a ser animado e levado para frente”, concluiu.


 


Fonte: ACI Digital


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